Secult promove em Quixadá, nos dias 16 e 17, seminário “Memorial Cego Aderaldo – Arte, Educação e Patrimônio”

Memorial Cego Aderaldo em Quixadá

Construído coletivamente, o Memorial deve dialogar com os diversos agentes, segmentos, setores e instituições da região Central do Ceará.

Em uma programação especial de preparação para a abertura do primeiro equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) no Interior do Estado, o município de Quixadá recebe, nos dias 16 e 17 deste mês, o seminário “Memorial Cego Aderaldo – Arte, Educação e Patrimônio”. O evento, que acontecerá no Campus Quixadá do IFCE e na Fundação Cultural de Quixadá, marcará o encerramento de uma semana inteira de ações voltadas à formação, realizadas pela Secult, buscando  promover uma rede regional de pesquisas e intercâmbios entre agentes educativos, culturais e turísticos. Sempre com o objetivo de ampliar o relacionamento afetivo com o patrimônio cultural cearense, destacando os sentidos de cidadania, pertença, identidade cultural e salvaguarda.

As atividades educativas envolvem educadores formais e não formais, estudantes e comunidades, promovendo a acessibilidade e a inclusão social e cultural. As ações vêm acontecendo desde a segunda-feira, 12/12, e seguirão até quinta, 15,  com seis cursos, cada um com 25 vagas, envolvendo um público composto por educadores, estudantes, agentes culturais e comunidades locais.

Já o Seminário “Memorial Cego Aderaldo – Arte, Educação e Patrimônio” será realizado na sexta-feira e no sábado, na Fundação Cultural de Quixadá, com mesa de abertura no IFCE Quixadá, na sexta, às 9h. Buscando promover encontros regionais de intercâmbio e publicização das ações relativas a bens de patrimônio, o seminário foi planejado pela Secult e pelo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, equipamento da Secretaria, em parceria com o Observatório de Educação Patrimonial (OEPE), o Núcleo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Mídias Interativas da UFG (MediaLab/UFG) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Quixadá, para, através de debates e mesas de trabalho, discutir programas e planejamentos voltados à educação patrimonial.

Entre os objetivos do seminário está a construção coletiva de um projeto de ação e gestão para o Memorial Cego Aderaldo, a ser colocado em prática a partir da abertura do novo equipamento, no começo de 2017. Como princípios de orientação, o Memorial Cego Aderaldo será um espaço voltado à arte, à educação e ao patrimônio cultural.

Construído coletivamente, o Memorial deve dialogar com os diversos agentes, segmentos, setores e instituições da região Central do Ceará, buscando fomentar a pesquisa, a formação, a difusão e a fruição das expressões culturais dos diversos territórios. O Memorial possibilitará a experimentação do público no processo de produção do conhecimento em arte e cultura, através das múltiplas linguagens, e promoverá a investigação de temáticas presentes na região.

O seminário contará com participantes como os debatedores da mesa de abertura: Alênio Carlos, coordenador de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secult; Paulo Linhares, presidente do Instituto de Arte e Cultura do Ceará/Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura; Aterlane Martins, professor do IFCE Quixadá e integrante do Conselho Estadual de Política Cultural (CEPC); Jair Nogueira, presidente da Fundação Cultural de Quixadá; Lilian Amaral, da Universidade Federal de Goiás – UFG/MediaLab/Rede Internacional de Educação Patrimonial – RIEP. A coordenadora de Ação Cultural da Secult, Valéria Cordeiro, o coordenador de Conhecimento e Formação, Lenildo Gomes, e a assessora de Governança Digital da Secult, Gecíola Fonseca, também participarão do seminário.

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Cego Aderaldo

Referência da Cantoria Nordestina, o poeta popular e trovador, Aderaldo Ferreira de Araújo, conhecido como Cego Aderaldo, nasceu na cidade do Crato (CE), no dia 24 de junho de 1878, porém logo após o seu nascimento mudou-se para Quixadá (CE). Perdeu a visão aos 18 anos de idade, onde nesta época, trabalhava como maquinista na Estrada de Ferro de Baturité. Através de um sonho cantando em verso, descobriu seu dom para cantar e improvisar. Aprendeu a tocar viola e rabeca, e, após a morte de sua mãe, passou a andar pelo sertão cantando e recebendo por isso.

Ao longo de sua vida, rodou o sertão inúmeras vezes, sendo reconhecido em todo lugar. Ficou famoso pelas suas pelejas com os maiores cantadores de seu tempo, como a que se deu em 1914 com o maior cantador do Piauí, o Zé Pretinho. Este duelo ficou registrado no cordel “A peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho”, de Firmino Teixeira do Amaral.

Cego Aderaldo cantou para muitas pessoas importantes. Quando já era um trovador famoso, foi recebido pelo Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, e pelo cangaceiro Lampião, que lhe deu um revólver seu, após um pedido feito em versos. Nos deixou em Fortaleza, aos 89 anos, em 29 de junho de 1967, e apesar de nunca ter sido casado, criou 24 meninos, adotando-os. É considerado pelos críticos literários um dos mais famosos trovadores do Ceará. 2017 é um ano importante, pois se relembram os 50 anos de seu falecimento.