G1 denuncia: ‘Golpistas da seca’ lesam agricultores de Quixadá e Quixeramobim prometendo serviços e seguros

Francisco de Assis levou meses para juntar R$ 100 para fazer um suposto seguro(Foto: André Teixeira/G1)

Com mais de cinco anos de prejuízos acumulados com a pior seca do Ceará nos últimos 100 anos, os agricultores do interior do estado perderam quase toda a produção. A safra é utilizada apenas para subsistência e, sem alimentação, a maior parte do gado foi para o abate, interrompendo a produção do leite para venda. Além das perdas causadas pela escassez de água, a população enfrenta outro problema: golpes que prometem serviços, benefícios e desviam verbas que iriam para as pessoas prejudicadas pela seca.

O G1 visitou as cidades de Quixadá e Quixeramobim, no sertão cearense, e ouviu muitos relatos sobre estelionatários que se passam por agentes do governo prometendo dinheiro por meio do Garantia-Safra ou do Bolsa Família, além de denúncias sobre falta de entrega de água.

O produtor José Filho chegou a ter mais de 100 cabeças de gado há cinco anos (Foto: André Teixeira/G1)

O titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações, Jaime de Paula, explica que esse crime se configura como estelionato, com pena prevista de um a cinco anos de prisão. “Em alguns casos, dependendo da forma como ele aplica o golpe, ele pode se enquadrar também na falsidade ideológica, porque é comum eles se passarem por falsos agentes”, explica o delegado.

A delegacia de Quixadá tem conhecimento dessas práticas ilegais, mas afirma que tem dificuldade em investigar porque, na maioria dos casos, não há registro da denúncia, e os golpes são aplicados em regiões distantes do centro urbano. “Eles são pessoas que vêm de outras cidades para aplicar os golpes nas áreas mais distantes. Quando a gente ouve o relato, depois de dias, eles [estelionatários] já estão longe. São os golpistas da seca”, afirma.

Antônia do Nascimento foi uma das vítimas da entrega de água da operação carro-pipa (Foto: Andre Teixeira/G1)

Veja a matéria completa no G1 Ceará: ‘Golpistas da seca’ lesam sertanejos no CE prometendo serviços e seguros

Outra reclamação comum entre os sertanejos da região é a irregularidade no abastecimento de água pela operação carro-pipa. A comerciante Antônia do Nascimento foi informada pelo Exército – que coordena a Operação Carro-pipa – que os pipeiros abasteceriam a casa dela duas vezes por semana, o que não ocorria, segundo ela.

“Tinha semana que a água só vinha uma vez pra família toda e não tinha como a gente dar conta, aí eu lavava a roupa na casa da minha irmã, e ela vinha tomar banho na minha. Quando o caminhão vinha duas vezes por semana, na segunda vez, eles colocavam só metade do pipa e diziam que a outra metade era pra outra casa, senão não dava.”

Barragem de Quixeramobim segue seca, e a cidade depende da água do açude Pedras Brancas. (Foto: André Teixeira/G1)

As chuvas no Ceará nos meses de fevereiro e março foram acima da média histórica, o suficiente para deixar a paisagem sertaneja esverdeada. Os pequenos reservatórios também encheram ou receberam um bom volume de água. A safra, no entanto, não está garantida, e os maiores reservatórios do estado seguem com menos de 10% da capacidade. O fenômeno é conhecido entre os sertanejos como “seca verde”.

Os reservatórios que abastecem Quixeramobim, no Sertão Central Cearense, estão completamente secos ou com menos de 1% da capacidade. Com isso, a cidade passou a receber água do açude Pedras Brancas, o que mesmo garante água para a cidade de Quixadá.

De acordo com o assessor técnico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos em Quixeramobim, Luís Fernando Pimentel, na atual situação, o Pedras Brancas tem reserva até o final de 2018. “Mesmo com boas chuvas, temos grandes açudes, como o Fogareiro, com 1% da capacidade. Isso é um reflexo de um longo período de estiagem. No ano passado, ele chegou a ficar completamente seco”, afirma Fernando.

Chuvas de fevereiro e março no Ceará foram suficientes para encher pequenos reservatórios. (Foto: André Teixeira/G1)

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