Coluna Amadeu Filho: “Tião da Baladeira” já derrubou até um juiz de futebol

tiao_baladeiraA consagração definitiva viria por ocasião de um jogo entre o Quixadá Futebol Clube contra o Ferroviário.

Numa manhã do começo dos anos 50 na tranquila da bucólica Quixadá, um menino levado da breca (endiabrado, travesso), levou uma surra danada, caprichada pelo cinturão do pai Alberto (magarefe do velho mercado público). Não fosse o doce coração da mãe Dona Lídia, a peia bateria muitos recordes, motivo: o menino Sebastião Vidal Soares – o Tião não queria saber de estudo, só de brincar com uma companheira que lhe acompanha até hoje, a amada baladeira (pequena forquilha de madeira com elástico para atirar pedras). Pedaços de giz eram atirados em todos os cantos da escola. A senhora Maria de Lurdes, diretora do grupo José Jucá, naquele momento, teve que puxar as orelhas do “capeta em forma de guri”. Para que? Tião deu um tiro certeiro nas pernas da educadora! “ele é um Durango Kid!”, diziam todos no grupo. O certo é que nunca mais voltaria a sentar num banco escolar. Só queria saber da sua atiradeira, nada mais.

Contam os familiares que Tião ganhou sua primeira baladeira aos dois anos de idade e não largou mais, conduzindo-a sempre pendurada no pescoço. Nas caçadas, se tornou campeão, não encontrando rival à altura no manejo do estilingue. Já rapaz, virou uma atração na cidade. Ganhou bom dinheiro em apostas, não perdendo nenhuma. Contam seus admiradores que uma pessoa segurava um cigarro em uma das mãos e nosso herói acertava bem no alvo, sem jamais ter ferido alguém. Na rodoviária, quase todas as noites, muita gente comparecia não para assistir um televisor ali instalado, mas para presenciar nosso atirador, derrubando, um a um, os copos colocados sobre o aparelho.

A consagração definitiva viria por ocasião de um jogo entre o Quixadá Futebol Clube contra o Ferroviário, meados dos anos 80. O árbitro “roubava” descaradamente para o time da capital. Na anulação de um gol, Tião não se conteve e desferiu um tiro (ou pedrada) certeira no juiz “Lalau”. Espanto geral! Como poderia, com aquela distância da arquibancada para o centro do gramado acertar o alvo! Jogo parado por bom tempo! Tião jurava por todos os santos que não teria sido ele o autor, mas um torcedor ao seu lado! “Ele dizia que fui eu, eu garantia que foi ele”! O certo é que a partir deste fato, os árbitros só iniciavam a partida depois que nosso herói entregasse a baladeira.

Garante Tião usar a atiradeira não como uma arma, mas como uma velha amiga. Casado com Dona Fátima, é pai amoroso de Paulo Henrique, Veridiano, Sofia e Narcisa. Já foi motivo de matérias jornalísticas elaboradas pelo radialista Jonas Sousa com repercussão nacional. É tão grande a sua paixão pela sua companheira que pode-se ler na parede de sua casa: “Seja bem vindo, mas não me peça emprestada a minha baladeira”.   Então, tá certo velho amigo!

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Amadeu Filho
Colunista da RC
Radialista Profissional
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