Coluna Amadeu Filho: Há 54 anos a gloriosa e inesquecível seleção de Quixadá conquistava o intermunicipal

O Intermunicipal era uma importante competição que acontecia entre as seleções do interior cearense. Era uma promoção da Associação Profissional dos Cronistas Desportivos do Estado do Ceará-Apcdec, tendo seu inicio em 1940 com a seleção de Maranguape se sagrando a primeira campeã do certame.

A partir de 1955 o torneio passou a ser disputado a cada dois anos. O torneio logo conquistou os cearenses. Bom lembrar que, naqueles anos havia muita rivalidade entre as seleções interioranas. A rivalidade entre as cidades de Quixadá e Quixeramobim no esporte era quase coisa de cinema.

No intermunicipal de 1963, a seleção da Terra dos Monólitos era “mágica”, tendo jogado um futebol extraordinário, ainda hoje motivo de comentários até por parte da crônica esportiva. Também pudera, com um timaço daqueles! Zé Leónidas – o“Pelé do sertão”; Perpétuo(o diabo loiro, artilheiro), a classe de Albano, a visão de jogo de Mariano; Vicentinho, a Formiguinha, indo e voltando, importante na evolução das jogadas; Zé de Melo, o clássico: Tico, imprimindo velocidade no ataque, enfim, todo o elenco jogava porque sabia com  orientação segura do técnico Gerardo Bernardes, os craques quixadaenses foram derrotando quem viesse pela frente. Por ter sido vice-campeã em l961, a seleção de Quixadá só entrou na competição a partir das quartas-de-finais.

Quixadá foi detonando quem viesse pela frente. A primeira vítima do moderno futebol apresentado pela seleção foi Baturité, velha rival; Ubajara, o segundo desafio, não resistiu ao melhor futebol do time do maior produtor de algodão do Ceará(à época); Numa tarde de domingo, a cidade de Quixadá parecia uma cidade fantasma. Que houve, naquele 29 de dezembro de 1963?

Ora, jogariam “Quixadá x Sobral”, no “PV”, em Fortaleza e muita gente foi assistir o inesquecível jogo, encontrar um carro na cidade naquele dia era procurar agulha no palheiro. Muitos foram assistir  o jogo, viajando no velho e  bom trem, quem não pode comparecer escutava pelas emissoras da capital com a voz de Everardo Sobreira, vibrante locutor da “Rádio Assunção”, levava os filhos da terra dos monólitos as lágrimas: “Quixadá vence Sobral por 4x. Pode vibrar torcedor quixadaense”. Não havia adversários para a “Seleção Mágica” que vencia todas.

No jogo final, 12-01-1964, novamente os desportistas quixadaenses foram ao “PV” e, comandados pelo “cônsul” Zé Limeira, incentivava os craques a uma nova vitória e a tão sonhada conquista do “Intermunicipal”. O adversário era a temida seleção de Beberibe, mas numa cobrança de falta magistral, o “Diabo Loiro” abriu o placar. E sob a regência do maestro Geraldo Bernardes os craques quixadaenses daí em diante, deitaram e rolaram, vencendo por 3×1.

Quixadá é campeã do nono Intermunicipal, nas arquibancadas do “PV”, Zé Limeira comandava a massa. No gramado os craques se abraçavam, na cidade as comemorações viraram a noite. Na chegada dos craques, sorrisos e lágrimas. E aquelas torcedoras mais apaixonadas dedicaram muitas “maçãs do amor” aos ídolos.

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Os heróis da memorável conquista: Severino Alves de Carvalho(Bira, goleiro); José Ribeiro Granjeiro(Granjeiro, zagueiro -direito); João Ribeiro(Ribeiro, zagueiro-central);Francisco Ferreira Lopes(Mariano, médio-direito); Francisco Albano Lima(Albano, centromédio); Francisco Xavier de Lima(Ticão, zagueiro esquerdo); Francisco da Silva(Da Silva, extrema-direita); José Inácio de Melo( Zé de Melo, meia-direita); Perpétuo Correia Lima(Perpétuo, centroavante artilheiro da copa); José Ferreira Lopes( Zé Leônidas, meia esquerda, eleito o melhor do certame); Francisco Nogueira Barros(Tico, extrema-esquerda); Geraldo Bernardes(técnico). Completando a seleção, Mafia(goleiro); Zé Preguinho(zagueiro-central); Arara(médio-esquerdo), Vicentinho(extrema-direita); Amauri(meia-esquerda). Zé Limeira, junto com a torcida, foi o décimo-segundo jogador da “Mágica”.

Mereceu destaque especial nesta conquista histórica, o jovem prefeito José Okka Baquit que não apenas apoiou a seleção, mas acompanhava os jogos. Tem razão o comentarista esportivo da “Rádio Cultura de Quixadá”, Everton Lopes (in memoriam) quando afirmou: “Foi uma seleção mágica! Não jogava futebol, parecia mágica”.