Coluna Amadeu Filho: Conheça o artista que desenhou a bandeira do município de Quixadá

Waldizar_VianaEm 1967, o prefeito José da Páscoa designou uma comissão  para falar com o artista, o qual aceito e foi muito elogiado.

Um grande criador de obras de arte e um artista plástico que muito nos orgulha, mas pouco conhecido pelos quixadaenses. Waldizar Viana ainda criança mostrava tendência para as artes. Estudando com a professora Irene Pinheiro, na escolinha do Alto do São Francisco, chamava a atenção pelo fato de ficar rabiscando livros e cadernos. Algo o impulsionava a ficar sempre desenhando.

Ainda adolescente, ficou impressionado com um desenho na parede, feito a lápis,na casa de seu vizinho, Manuel Cunha – o Coquinho, era uma Maria-fumaça. Nunca esqueceu aquela imagem. Prestava muito atenção aos quadros nas paredes das casas dos amigos. Na casa de outro amigo, o Geraldinho(filho da Maria do Dedé Soares), ficava contemplando por horas, um quadro em que um homem estava montado num cavalo, puxando outro animal, na beira de um lago.

Aos 14 anos incompletos, o menino fez o seu primeiro quadro na parede de sua casa, utilizando tintas comuns, o “Chalé da Pedra”. Os pais ficaram encantados e uma vizinha por nome Maria das Dores, afirmou com ar de certeza que naquela casa mora um artista. O adolescente Waldizar caminhava pela sua bela Quixadá e parava para admirar os letreiros feitos por Antônio Saraiva, nos muros, em várias partes. Além dos letreiros, desenhos de animais, casas, instrumentos.

Antônio Saraiva foisem dúvida, seu primeiro ídolo. Na oficina do mestre Furtado, onde trabalhava seu irmão Joaquim, ficava apreciando cartolinas penduradas na parede, com lindos desenhos. O autor Antônio Piroba, era conhecido na cidade como desenhista de muitos talentos. Sempre passava em frente à casa do bancário Narcílio Bezerra, filho do senhor Hercílio Bezerra para admirar as lindas paisagens, presentes na fachada da casa. Era a década de 60 e muitos frequentadores do extinto “Cine Quixadá”, além dos filmes, curtiam os cartazes desenhados por Waldizar e seu amigo Jocineide. Estava decidido a ser artista, a não parar mais de pintar. Precisava lapidar a sua vocação e fez um curso por correspondência na “Escola Panamericana de Artes” que lhe foi de grande utilidade. 

A “Degolação de São Batista”, foi o primeiro quadro como profissional. O artista é admirador de pinturas sacras, sendo um dos temas mais utilizados na sua arte. Precisava trabalhar e na loja do senhor Henrique expunha seus trabalhos, chamando a atenção de muita gente. Um quadro mostrando uma cena nordestina chamou a atraiu da escritora Rachel de Queiroz e o jovem artista a presenteou. Pouca gente sabe, masWaldizar é o autor da bandeira do município.

 Era o ano de 1967, o prefeito José da Páscoa designou uma comissão  para falar com o artista, formada por Fernando Turbay, Maura Capistrano e Antônio Capistrano, o trabalho foi muito elogiado. O dono da loja, senhor Henrique, certa vez falou: “o Viana não nasceu para o balcão e sim para as artes”. Na loja desenhava pessoas, conhecidas na cidade como Maurício Holanda, senhor Nobre e outros. As encomendas de desenhos aumentavam a cada dia. Então, Waldizar já era considerado um grande artista.

Naqueles anos na Terra dos monólitos, a arte teatral explodia, envolvendo um grande número de jovens atores e adultos. Waldizar era o responsável pela cenografia, ou seja, a arte presente na parede do fundo do palco. E aí, muita emoção, veio à primeira exposição que aconteceu no “Teatro Alberto Baquit Junior”, dezembro de 1969. Se faz necessário afirmar que no tempo que morou em Fortaleza, participou de várias exposições sendo bastante elogiado por grandes mestres da pintura cearense. Meados dos anos 70, na capital, teve contato com consagrados artistas plásticos que lhe passaram muitas informações.

Em Fortaleza, como também na terra dos monólitos,  participou de exposições individuais e coletivas. Na capital, trabalhando como desenhista publicitário, realizou trabalhos para grandes veículos da comunicação escrita. Mas em 1981, veio embora definitivamente para sua cidade natal, pois havia sido aprovado num concurso do “Inamps”, não demorou e organizou um atelier em sua própria casa, o lugar em que mais gosta de ficar e que é bastante visitado. 

O artista plástico quixadaense é bastante requisitado por grandes escritores para a confecção das artes presentes na capa e no interior dos livros. Foi elogiado pelo seu trabalho realizado nos livros “Retalhos da História de Quixadá” e “Ruas que Contam a Nossa História”, de autoria do escritor João Eudes Costa.

Agora que já sabemos mais sobre o autor da nossa bandeira, que tal conhecê-lo mais de perto, admirar seus quadros. Afinal, todo artista gosta de estar perto do povo. 

Acessando o blog Amadeu Filho você terá a oportunidade de conhecer mais sobre a história de Quixadá.

Amadeu Filho
Colunista da RC
Radialista Profissional
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