Coluna Amadeu Filho: Chicutinho, o idealizador do primeiro cemitério parque da região Central

Francisco José de Lemos, o popular Chicutinho.

Chicutinho nos lembra que é nas dificuldades que encontramos os caminhos das conquistas.

“O sofrimento nos traz muitos aprendizados”. Esta frase é de Francisco José de Lemos, o popular Chicutinho.  Ele provou que o sucesso na vida de um ser humano vem com as derrotas. Poucas pessoas sabem que ele passou por momentos tortuosos enfrentando até mesmo desemprego e seguidas quedas em alguns dos negócios que ousou enfrentar. Não se sente constrangido ao lembrar que chegou a passar dificuldades financeiras.

O sofrimento, as batalhas é que nos dão coragem para conquistar nossos ideais. É desta forma que enfrentou os obstáculos que foram surgindo em seu caminho. No enfrentamento das adversidades, jamais se deixou levar pelas emoções negativas não permitindo que elas tomassem conta do seu coração e de sua mente.

Francisco José de Lemos Neto nasceu numa fazenda por nome de Ferros, no município de Quixeramobim e ainda criança começou a ajudar o avô Antônio Lopes de Sousa na agricultura no distrito de Algodões. Por problemas que aconteceram relacionados as terras que habitavam e trabalhavam, a família decidiu ir morar em Fortaleza no ano de 1968.  Chicutinho já contava com 19 anos de idade e na cidade grande tudo era diferente do jeito de se viver no sertão. No bairro Parangaba já bastante habitado naquele tempo, começou a trabalhar de servente, auxiliando seu pai, João Lemos, então um pedreiro bastante requisitado para serviços da construção civil. O trabalho exigia muito do pai e do filho como ter que acordar cedo, ainda na madrugada e enfrentar, às vezes, chuvas ou sol rachando. Era um trabalho verdadeiramente para os fortes, não há dúvida. Mas, parece mesmo que esta família estava mesmo predestinada a vir morar em Quixadá.

Certo dia, estavam trabalhando no mesmo local quando o fazendeiro José Paulino que conhecia muito bem os dois e por coincidência passava por ali, os avistou e foi logo falando “Compadre João Lemos, Fortaleza não é lugar para você!”.  Informou para os dois que o senhor José Bonifácio, então secretário de governo, iria realizar algumas construções em Quixadá e iria indicá-los para trabalhar nesta tarefa pois era muito amigo dele. Francisco José e o pai foram então, na residência do senhor José Bonifácio e ficou acertado que iriam morar na terra dos monólitos e trabalhar na construção de algumas casas.

Havia trabalhos em outras localidades, mas Chicutinho explicou para seu pai que ir morar e trabalhar em Quixadá seria mais interessante para a família. Não precisa nem dizer da alegria da professora e mãe amorosa, Maria de Jesus Sousa Lemos, em ir residir na bela cidade do sertão central. No dia 11.02.1968 chegaram em Quixadá, um domingo, e não demoraram a iniciar os trabalhos.

Na hora da prestação de contas com os outros trabalhadores, pegavam o dinheiro com seu Aloísio(O Chefe), amigo pessoal de José Bonifácio. Chicutinho sempre esteve trabalhando ao lado do seu pai mas por sugestão do senhor José Costa Lima, irmão do senhor Gerardo com quem havia trabalhado no tempo de adolescente, passou a se interessar em trabalhar no comércio o que viria acontecer algum tempo depois. Naquele momento, o senhor Benjamim Oliveira estava montando um depósito de rede para atender as necessidades de sua fábrica. Francisco José fez todos os testes e foi aprovado dentre 27 inscritos para aquela vaga de trabalho.

Naquela tarde de 3 de março de 1968, Benjamin foi na sua Kombi até a casa do novo funcionário e lhe comunicou que amanhã ele já começaria a trabalhar. Foram 6 anos de muita dedicação e aprendizado junto ao conhecido empresário de quem se tornaria um grande amigo. Trabalhou em meados dos anos 70 na loja Sônia, de propriedade do senhor Moisés Rodrigues e nunca esqueceu o dia em que fez o transporte dos produtos da loja de Quixeramobim até Quixadá pois aconteceu uma grande enchente na vizinha cidade.

Administrou a popular Confecções Monólitos que se tornaria um empreendimento de sucesso mas por motivos de natureza econômica encerrou suas atividades. Foram anos de muitas dificuldades mas nunca foi homem de se dar por vencido e já era quase uma rotina em sua vida, cair e levantar,  passando por cima de todos os obstáculos. Determinado, montou um depósito de cal no bairro do Alto de São Francisco que naqueles anos crescia bastante com a construção de novas casas. Neste momento, formou uma sociedade com o amigo Vicente Albano e sempre trabalhando acabou por organizar a vida financeira. Intensificou seu trabalho exatamente no que mais gostava que era atuar na construção civil. Inclusive, ali pelos anos 90, participou da construção de alguns apartamentos em Fortaleza e até ficou muito conhecido como Quixadá das construções.

Até hoje, é muito grato ao médico César Oliveira, filho de Benjamim que lhe alertara: “Para trabalhar com papai, você terá que estudar!” Depois de ouvir o alerta, correu para o Grupo José Jucá e foi submetido a um teste conduzido pela atenciosa professora Cezarina e foi aprovado com louvor. Sempre estudando com seriedade, mesmo enfrentando 8 horas de trabalho, foi aprovado obtendo o segundo lugar no exame de admissão e concluiu então o Ginasial no Colégio Estadual. Lembra com muito carinho dos professores: Betinha(Português); Nilson Rolim(Inglês); Miranda(Matemática); Socorro Rodrigues(O.S.P.B); Cleune Queiroz(Técnicas Comerciais), dentre outros.

Guarda no coração o convívio com colegas de classe como Irecê, Ednardo, Eduardo, Damião, Aldenora, Vicente Capistrano e outros que já não lembra os nomes. Continuou a estudar e sempre tendo consciência de sua importância, enfrentou o supletivo. E veio a grande conquista que foi a graduação em História pela FAFIDAM(Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos), sediada em Limoeiro do Norte. Se faz necessário lembrar que sempre contou com o apoio  de sua esposa Francisca Risolene com quem se casou em 12.01.1974 na igreja Jesus Maria José, em cerimônia presidida pelo Padre José Bezerra. Francisco José e Risolene são pais amorosos de Romero de Sousa Lemos(hoje, advogado de renome) e Karla Lemos(formada em Enfermagem, tendo trabalhado 8 anos e atualmente também exerce a advocacia).

Na FAFIDAM- anos 80

Cansado de levar tantos foras daqueles que procurava para montar algum tipo de negócio, resolveu fazer uso da criatividade para organizar junto à pessoas de sua confiança um empreendimento que viria a revolucionar os serviços funerários na terra dos monólitos. Sabia até demais que o velho cemitério de Quixadá em pouco tempo já não atenderia mais à contento as necessidades de uma cidade que crescia a passos largos. Um certo dia, ao acompanhar um sepultamento em moderno cemitério da capital imaginou que a terra dos monólitos já merecia há muito tempo, um cemitério do tipo parque. Voltou para a terra dos monólitos com esta ideia fixa na cabeça e resolveu enfrentar este desafio.  Jamais admitiu ser sufocado por crenças negativas e no dia a dia, desconstruía imagens ou pensamentos  de derrotas e ademais sempre foi um homem de muita fé. “Vamos construir um moderno cemitério na terra dos monólitos”, falava para seus amigos mais próximos e de sua confiança.

Sua preocupação inicial foi com a localização e depois de muito pesquisar achou que o local ideal para a construção do primeiro cemitério particular da região centro do estado seria num terreno próximo ao Santuário da Imaculada Rainha do Sertão.  Tinha plena consciência de que sozinho não chegaria a lugar nenhum. Foi então falar com a senhora Elza, viúva do industrial Cila Pinheiro e seu filho Marquinhos que aceitaram o desafio. Era o ano de 1994 e já no ano seguinte depois de cuidar com muito zelo da parte burocrática, teve início a construção daquele espaço localizado na Avenida Doutor Alessandro Nottegar.

Nos lembra que foi trabalhar durante algum tempo num moderno cemitério da capital para entender melhor como funcionava e conhecer a sua estrutura, as necessidades de um espaço de tanto significado para as famílias. E finalmente, o sonho se tornou realidade. O “Nova Jerusalém” iniciou suas atividades em 4.01.1999. Hoje, aquele espaço apresenta uma estrutura moderna e eficiente garantindo o respeito a memória de familiares.  Francisco José nos lembra que a maior preocupação do “Nova Jerusalém” é bem atender os familiares para que eles possam enfrentar momento tão delicado como é a perda de um ente querido.

Cemitério parque “Nova Jerusalém”- Um orgulho dos quixadaenses

Atualmente, Francisco José exerce a função de mestre de obras e lhe caiu muito bem esta atividade devido a experiência que acumulou numa vida sempre dedicada ao trabalho e em especial, o da construção civil. Na parte burocrática, merece destaque o trabalho de Marineide Pinheiro que conta com uma equipe altamente profissional que faz daquele moderno cemitério um orgulho para todos nós.

É sempre bom nos encontramos com Chicutinho pois ele está sempre a nos lembrar que as dificuldades fazem parte da vida e que a vida é nossa grande mestra. Acredita que conseguiu mostrar que os fracassos que enfrentamos no momento podem não ser fracassos no amanhã. Para ele, as quedas que levou se transformaram em motivos para sempre lutar pela conquista dos sonhos. Ele nos mostra que a fé e a vontade juntas são uma via muito importante para que os objetivos sejam conquistados.

Na vida deste estimado ser humano, mesmo quando tudo parece querer desabar, ele risca a palavra desistir e sempre vai em frente na busca de novas conquistas. Por isso, é um profissional respeitado e querido na terra dos monólitos. Francisco José, carinhosamente chamado de Chicutinho, sempre nos lembra as palavras de Dalai Lama: “Só existem dois dias no ano que não se pode fazer nada: Ontem e amanhã”.

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Autor

Amadeu Filho
Colaborador da RC
Colunista
Radialista Profissional