Coluna Amadeu Filho: a “Ola” de seu Luquinha foi por muitos anos a alegria dos quixadaenses

luquinha_e_lLuquinha organizava praticamente tudo, parecia flutuar de tanta alegria.

Quixadá nos anos 60, assim como as demais cidades do interior, era maravilhoso, nossa coluna trás uma das mais belas imagens daquele comecinho dos anos 60. É a doce lembrança do “Parque Nossa Senhora De Fátima”, de propriedade dos queridos Luquinha e D. Lurdes(foto).

Nas festas de Jesus Maria José, era a alegria das famílias e um atrativo para as crianças. O Parque era montado na Praça da Catedral, ainda com chão batido, alguns bancos de madeira. Neste cenário encantador, a família de S. Luquinha montava o equipamento de diversão. Só começava a funcionar depois da missa, celebrada por Padre Luís. Tinha gente de toda a cidade e da zona rural, uma explosão de alegria. Os rapazes com terninho para impressionar. As moças do lugar, vestidos simples, mas tão bem cuidados que pareciam rainhas da festa. No rosto percebia-se a presença de rouge, talco. As mães acreditavam que com aquela “pintura” suas criações poderiam encontrar o tão sonhado príncipe.  Quem sabe, o vai e vem das barquinhas, com aquelas meninas-moças, não poderia enfeitiçar o coração jovens sonhadores.

O Parque existiu de verdade, mas aquela atmosfera de felicidades, dava a impressão de estar acontecendo um verdadeiro sonho. As pessoas mais idosas, ficavam dando voltas na praça, lembrando dos tempos de namoro.

Segundo nos informou o Tuca, um dos filhos do casal Luquinha e Lourdes, era a “Ola”, equipamento de diversão que ficava dando voltas durante eternos 5 minutos.  Durante mais de 10 anos, a “Ola do Luquinha” como ficou conhecida, fez a alegria dos quixadaenses naquele momento. Segundo Tuca, 36 pessoas era a capacidade máxima da “Ola” e cada banco, sempre duas ou três pessoas.

Como o motor da luz da cidade, parava de funcionar às 22 horas, a família providenciava a colocação de lampiões de gás. Para girar a imensa roda, eram necessários 3 carreteiros, contratados por Seu Luquinha: Bodoroco (o faz tudo); Zé do Cão e Chico Manso. Devido o aumento da frequência ao Parque, foi fabricada outra “ola”. Tudo isto fazia a alegria de Luquinha e D.Lurdes que logo, ao sair do ponto de verduras do velho mercado, corriam para a praça. Dona Lurdes, vendia os bilhetes, porém, não cobrava pela simpatia com que atendia a todos. Luquinha organizava praticamente tudo, parecia flutuar de tanta alegria. Tuca, o filho mais velho, novinho naquele tempo, ficava encarregado de guardar o dinheiro apurado numa mala preta, sem nenhuma proteção. Contou-nos que, vez por outra, pegava uma nota para comprar pedaços de bolo nas banquinhas e maçãs do amor para oferecer a uma linda menina da zona rural. As banquinhas ficavam espalhadas por toda a praça.  Lembra que, muitas vezes, parte do dinheiro, já em grande quantidade, não cabia mais na velha mala e uma parte ficava por fora, mas ninguém ligava pra isso (se fosse hoje).

O “Parque Nossa Senhora de Fátima” é uma doce saudade para os mais antigos. Para os mais jovens, através desta matéria, a possibilidade do conhecimento de que, nos tempos de infância de seus pais, praticamente tudo era alegria e encantamento, num Quixadá alegre e cheio de paz. Certa vez, sabendo que o parque funcionava até altas horas da madrugada, o padre perguntou a Seu Luquinha, como os carreteiros resistiam a tantas horas de trabalho ininterruptas, Luquinha com seu afiado humor, respondia: “é a milagrosa que dá força de Hércules a eles”. Como o padre não entendeu bem, Luquinha emendou “é um líquido que vem do alambique e que eles consomem”.

Quixadá era ou não bem mais feliz?

Acessando o blog Amadeu Filho você terá a oportunidade de conhecer mais sobre a história de Quixadá.

Amadeu Filho
Colunista da RC
Radialista Profissional
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