Comissão vai se reunir em Senador Pompeu para discutir tombamento dos Campos de Concentração

Construções em Senador Pompeu foram as únicas que restaram de um campo de concentração no Ceará (Foto: Agência Deutsche Welle)

Região Central: Importante parte da história da seca e do nordeste, dois elementos essenciais para entender o drama do sertão e do sertanejo, os campos de concentração de Senador Pompeu serão alvo de mais uma investida do poder público para buscar o processo de tombamento do equipamento histórico.

Uma comissão formada por políticos, estudiosos, órgãos públicos e autoridades locais e estaduais se reúnem no fim deste mês para formar uma comissão que vai tratar do tombamento dos casarões que formam o campo de concentração que fica às margens do Açude Patu, situado no município.

A comissão deverá discutir o curso burocrático do processo estadual para o tombamento dos casarões, tendo em vista que o tombamento municipal já existe. Os convidados farão uma visita ao local e vão se reunir através de uma iniciativa promovida pelo Município de Senador Pompeu para buscar dar celeridade e esse processo, que se arrasta por anos.

Estarão presentes o deputado estadual Acrísio Sena (PT), vice-presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa; Maurício Jucá, prefeito do município; Cristina Holanda, coordenadora de Patrimônio e Memória da Secretaria Estadual de Cultura (Secult); o reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Wally Menezes, além de professores, pesquisadores e alunos.

Em entrevista ao jornalista Roberto Moreira o deputado Acrísio Sena, membro da comissão que estará no município, fala sobre a importância da construção arquitetônica e pontua porque ela compõe parte da história do Ceará. “Há ainda um o projeto de restauro dos casarões. Este é um passo importante para a preservação da nossa história e identidade cultural, pois os campos de concentração espalhados pelo Ceará no início do século XX tinham o objetivo de isolar dos demais os retirantes que tentavam sobreviver à seca do sertão fugindo para a capital”, explica.

Sobre os Campos

Nesse campo, milhares de pessoas sofreram e morreram, no início da década de 1930, de doenças, de maus-tratos e de inanição. A construção tinha como objetivo evitar que retirantes chegassem às cidades, principalmente à capital do Ceará. Além de isolados e confinados, os retirantes eram explorados como mão de obra escrava em obras públicas.

Além do Patu, outros seis campos foram instalados no Ceará durante a grande estiagem de 1932. Dois ficavam em Fortaleza. Esses sete campos, no entanto, também não foram pioneiros. Seu surgimento remonta aos abarracamentos (acampamentos improvisados) instalados pelo Estado para abrigar os retirantes nas secas de 1877 a 1880, quando Fortaleza foi ocupada por cerca de 100 mil flagelados, mais do triplo de sua população na época.

Após novas estiagens, a ideia de “concentrar” os retirantes foi se consolidando, como também o projeto de modernização e embelezamento das cidades, acompanhado ainda da popularização da ideia do darwinismo social, que à época ajudava a justificar ideologicamente o domínio de uma “raça” sobre outra.