Chacina em Ibaretama: Polícia aponta que crime foi motivado por disputa entre facções e criança foi morta por engano: ‘Sujou, acertei a criança’, disse um dos criminosos

Vítimas foram executadas dentro de residência durante a madrugada. — Foto: Leábem Monteiro/SVM

Região Central: Passado uma semana da chacina que aterrorizou o município de Ibaretama e deixou sete mortos, uma investigação ainda em curso da Polícia Civil, já tem a resposta para algumas das principais perguntas relacionada ao crime: as mortes foram comandadas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) contra envolvidos na outra facção criminosa, a Guardiões Do Estado (GDE), e a criança de seis anos encontrada entre as vítimas, foi assassinada por acidente. As informações são da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE).

De acordo com um relatório preliminar que está sendo produzido pelo setor de inteligência da Polícia Civil e revelado nesta quarta-feira (2) pelo jornal O Povo, a casa onde aconteceu a chacina, na localidade de Pedrical, funcionava como uma espécie de QG de integrantes da GDE. Quatro das sete vítimas, teriam chegado na residência cerca de uma hora antes. Às três da manhã, um grupo formado por cerca de 10 criminosos chegou ao local com rostos cobertos, bateram na porta se passando por policiais, ordenaram que a porta fosse aberta, renderam as vítimas e em seguida passaram a atirar.

Entre os criminosos estavam Francisco Victor Azevedo Lima, de 20 anos, e Kelvin Azevedo Lima, de 26 anos. Para a Polícia a dupla, capturada assim como todo o grupo, recebeu ordem do CV para chacinar as vítimas. Eles receberiam abrigo e um local onde pudessem guardar as armas. Os detalhes ainda estão sendo apurados, mas pelo que já se sabe, as sete mortes foram resultado da disputa entre as duas facções pelo território do tráfico na cidade. Ainda conforme o Jornal O Povo, vários dos suspeitos envolvidos já foram identificados.

Delegacia Regional de Polícia Civil de Quixadá ajuda nas investigações (foto: RC)

Foram mortos os irmãos Ednardo de Lima Silva, de 18 anos e Eduardo de Lima Silva, de 19; Wellington Lima Silva, de 17; Luana Melo da Costa, de 19 anos; Francisco Gabriel Pereira da Silva, de apenas 14 anos. Segundo o relatório da Polícia Civil, entre os sete mortos, as quatro vítimas que chegaram ao local momentos antes do crime são as que teriam envolvimento com a GDE. Apenas dois não possuem envolvimento com facções: Willian da Silva Rodrigues, de seis anos, e o tio dele, Osvaldo da Silva Lima, de 24 anos.

Um outro detalhe chocante revelado pelo relatório da Polícia, é que a criança foi morta por de forma acidental. Willian teria recebido autorização para correr e fugir junto com a mãe, que era a dona da casa. O restante do grupo que permaneceu rendido na casa, passou a tentar escapar dos disparos. Na tentativa de acertar as vítimas a qualquer custo para cumprir a ordem de execução, os criminosos dispararam por todos os lados e um dos tiros acertou a criança.

A mãe de Willian também foi baleada mas conseguiu fugir. Em depoimento à Polícia a mulher afirmou que chegou a escutar os executores conversando entre si e comentar: “Sujou, acertei a criança”. Ela ainda contou que chegou a correr levando a criança já desacordada e deixando-a nos fundos da casa para pedir ajuda. O corpo de William da Silva Rodrigues foi encontrado no dia seguinte, a cerca de 50 metros da residência.

A disputa entre facções pelo domínio do território para o comércio de drogas tem motivado na Polícia várias investigações. A chacina em Ibaretama ainda vai ser apurada para que uma tese final seja apresentada, mas já está claro que a disputa seja a principal razão pela morte das sete pessoas. Outros detalhes ainda poderão ser divulgados pela SSPDS-CE.

Com informações do Jornal O Povo e da SSPDS-CE