MPCE vai apurar maus-tratos contra tatu-bola em comemoração de prefeita eleita em Caridade

Mulher derrama cerveja em animal (Foto: divulgação)18

Região Central: O Ministério Público do Estado do Ceará, por meio da Promotoria de Justiça de Caridade, instaurou procedimento administrativo nesta terça-feira (17) para investigar o crime de maus-tratos contra um tatu-bola, que foi alvo de maus-tratos praticapos por simpatizantes da prefeita eleita de Caridade, Simone Tavares, durante a comemoração da vitória na noite do último domingo (15).

Conforme vídeo veiculado nas redes sociais, foi possível verificar maus-tratos contra um tatu-bola, espécie ameaçada de extinção, em via pública. Uma mulher que aparece no vídeo, comemorava a vitória da prefeita enquanto segurava o animal e derramava sobre ele bebida alcóolica. A Polícia Civil de Canindé, que investiga o caso, teve acesso ainda a dois outros vídeos. Em um deles, a mulher e outras pessoas surgem jogando o animal para cima. Noutro, o animal é arrastado por uma moto em via pública.

O promotor de Justiça Antonio Monteiro Maia Junior enviou ainda ofício à Delegacia Regional de Canindé requerendo instauração de procedimento policial visando apurar a conduta criminal das pessoas que aparecem nas imagens divulgadas praticando os maus-tratos. A Promotoria de Justiça de Caridade recebeu inúmeros e-mails e mensagens no WhatsApp Institucional com pedidos de providência da população devido à revolta causada pelo vídeo divulgado nas redes sociais.

A mulher que aparece segurando o animal já foi identificada e notificada para comparecer à Promotoria de Caridade para prestar esclarecimentos e identificar demais pessoas envolvidas. O procedimento do MP também investigará a responsabilidade pela captura do animal e busca identificar se existe caça ou outras ações tendentes a vulnerar a existência do animal, que já se encontra em processo de extinção. Atualmente, o crime de maus-tratos a animais consta no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais 9.605/98 e a pena prevê reclusão de dois a cinco anos no caso de animais domésticos, ou de três meses a um ano no caso de animais silvestres, aumentada em 1/3 no caso de morte, além de multa.

Em nota, após a ampla repercussão negativa do caso, Simone Tavares se manifestou afirmando repudiar o ato. “Simone Tvaares vem manifestar seu total repúdio a quaisquer atos de maus tratos praticados contra animais, bem como destacar qie não tinha conhecimento do fato, tão pouco qualquer relação com este, pois sequer esteve presente no evento em questão”.