Combate ao coronavírus: um ano após primeiro caso no mundo, três vacinas tem qualidade atestadas

Teste da vacina contra a doença de coronavírus (COVID-19) na Tailândia

A última semana marcou o início daquela que pode ser uma nova era de convivência com o coronavírus em todo o planeta. Laboratórios concluíram estudos de duas das quatro vacinas que atualmente estão em elaboração para a cura do Covid-19 e constataram que o medicamento tem, sim, eficácia para tratar pacientes que estejam infectados com o vírus.

Todo o planeta respirou mais aliviado com a informação. Era a notícia que muitos ansiosamente esperavam. Até hoje, ainda são muitos os que se assustam com os efeitos da pandemia e vivem a mercê de uma quarentena eterna, trancados dentro de suas próprias casas, fazendo deste comportamento preventivo, uma porta de passagem para problemas que surgem no âmbito psicológico e social, como depressão e fobias.

Na última quarta-feira (18), a americana Pfizer e a alemã BioNTech, empresas farmacêuticas que atuam juntas na busca de uma cura para o coronavírus, publicaram a conclusão da fase final de testes de uma vacina. São as primeiras empresas a fazer esse anúncio e a vacina se mostrou segura e 95% eficaz. A terceira fase é a ultima fase de testes de criação de uma vacina e os resultados otimistas indicam que a vacina tem tudo para ser aprovada rapidamente.

Testes conclusivos

Doses da vacina produzidas pelo Instituto Butantã serão usadas para vacinar a população (Foto: Agência Brasil)

Nesta terceira fase, que começou em julho, mais de 43 mil pessoas de todas as idades participaram do teste em seis países; cerca de três mil no Brasil. Esses dados determinam o percentual de eficácia de 95%, 28 dias depois da primeira dose. Já em voluntários acima dos 65 anos, a eficácia foi superior a 94%. Os efeitos colaterais apresentados foram mínimos e apenas para um pequeno grupo dos que participaram do teste. A empresa diz que tem capacidade para fabricar 50 milhões de doses em 2020 e até 1,3 bilhão em 2021.

Um dia depois de publicado o estudo da Pfizer com a BioNTech, na quinta-feira (19) foi divulgado numa prestigiada revista científica americana os resultados da fase 2 da vacina que está sendo elaborada pela AstraZeneca . O estudo foi considerado conclusivo após ser revisado por cientistas que não tiveram ingerência no processo de produção da vacina e foi divulgado no momento em que a empresa já está em andamento na Fase 3.

De acordo com o estudo, a vacina da AstraZeneca, cujo nome oficial é ChAdOx1 nCoV-19 (ou AZD1222), foi testada em 560 participantes, incluindo 240 pessoas com mais de 70 anos. A fase 2 dos testes verifica a segurança e a capacidade do imunizante de gerar uma resposta do sistema de defesa. Normalmente, ela é feita com centenas de voluntários e mostrou segurança e induziu “uma forte resposta imune” em idosos já na primeira dose. Na segunda dose, todos os demais participantes das outras faixas etárias também tiveram imunização comprovada.

Avião com primeiras doses da Coronavac chegaram ao Brasil (Foto: reprodução/TV Globo)

Lotes no Brasil

Também na última semana chegaram ao Brasil as primeiras 120 mil doses da vacina produzida na China contra o Covid-19. O composto químico já passou pelas fases 1 e 2 e agora chega ao Brasil para a Fase 3 dos testes. A CoronaVac, produzida pela chinesa SinoVac, chegou ao Brasil após o aval da Anvisa Ela é estudada em conjunto com o Instituto Butantan. Seis milhões de doses devem chegar ao Brasil até o fim do ano.

Todas essas notícias vem à tona justamente na semana em que ficou marcada pelo surgimento do primeiro caso de Coronavírus no mundo, um ano atrás. A possibilidade de que o dia 17 de novembro seja um dos marcos iniciais da pandemia foi levantada em reportagem do jornal South China Morning Post. O jornal – baseado em Hong Kong – relatou ter tido acesso a documentos do governo chinês apontando que a primeira pessoa infectada pode ter sido um morador de Hubei de 55 anos. O rastreamento do caso indica que a data do caso é de um ano atrás.