Matemática do pavor: com 26 mortes em um mês, Quixeramobim vive pico da COVID-19 em julho

Vista aérea de Quixeramobim: cidade vive sob onda de pavor com pico de coronavírus (Foto: divulgação)

Quixeramobim: a matemática é considerada uma ciência exata e com ela não é possível mentir. Por tanto, a julgar pelos números, o que antes era apenas uma tese agora se confirma: sim, Quixeramobim vive o pico do coronavírus desde o início da pandemia, uma situação que está deixando a cidade inundada em uma onda de pavor e medo. Uma análise dos números fornecidos pela Prefeitura de Quixeramobim e cruzados para fins de checagem com a plataforma IntegraSUS, mostra que o município vive seu pior momento da doença.

Dos últimos cinco meses anteriores, Julho foi o que registrou o maior número de mortos pela doença. Foram 27 novos casos dentro do mês, o que resulta em uma média de quase uma morte por dia. No dia primeiro do mês passado, Quixeramobim iniciava esse cálculo acumulando 30 mortos, e terminou o mês com 56 casos, conforme os dados do integraSUS. Foi o mês com o maior número de falecimentos.

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Em março, quando a pandemia do coronavírus estourou no Brasil e se tornou razão de preocupação no Ceará, Quixeramobim não ainda nem a sua primeira morte. A plataforma atualizada pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) mostra que o primeiro óbito só entrou no obituário municipal no dia 10 de abril, número que se manteve por mais três semanas até o fim daquele mês, quando a cidade teve o segundo registro.

Secretaria de Saúde enfrenta momento difícil: mais do que números, são vidas.

Desde então, esse número só subia: em maio, os dados mostram que Quixeramobim registrou 15 mortes (passando de 2 para 17 óbitos). Em junho, houve uma leve redução em comparação com o mês anterior, quando os dados contabilizavam 13 registros. A cidade começou o mês com 30 casos e terminou com 56, de acordo com o IntegraSUS. Ou seja: 26 mortos.

A comparação com os outros meses desde o início do alastramento da Covid-19 pelo Município, evidenciam: julho foi o mês de pico do coronavírus. Isso traz uma constatação interessante de se observar: a de que a doença se comporta de maneira diferente em cada território. Quixadá, por exemplo, que está vizinho a Quixeramobim, teve seu pico em junho, quanto o município só agora está passando pelo seu pior momento.

E esse triste número segue aumentando. Nos três primeiros dias de agosto, já foram confirmadas quatro novas mortes pela Prefeitura de Quixeramobim. Quixadá, do outro lado deste cálculo, está ha seis dias sem contabilizar nenhuma nova morte pela Covid, felizmente. Os casos confirmados também aumentaram consideravelmente: foram 463 novos registros durante julho (eram 993 casos confirmados no dia 1º e 1.456 no final do mês).

Ficou claro que a cidade está vivendo seu período mais difícil. Neste desafio diário de informar tantos casos, o jornalismo já absorveu a máxima de que o que trazemos são mais do que números, são vidas. Vidas ceifadas pelo trágico momento que todos estão sujeitos a viver. Mas é preciso considerar condicionantes que podem ter contribuído com a perpetuação deste momento, tão difícil de ser superado e esquecido.

Leia amanhã: os recursos que Quixeramobim dispõem para enfrentar a doença e porque, mesmo assim, o município se encontra em uma situação tão delicada.