O sorriso se transforma em luto: morre, aos 58 anos, o quixadaense João Helder, o “Palhaço Pebinha”

Pebinha estava muito fraco em virtude de doença (foto: divulgação)

Quixadá: Se um dia Quixadá tanto já sorriu e se alegrou com suas brincadeiras e travessuras, nesta terça-feira (27) Quixadá amanheceu triste e em pesar. Faleceu durante esta madrugada, em Fortaleza, João Helder Tomé, o palhaço Pebinha. Ele tinha 58 anos e tratava uma cirrose. A causa da morte, no então, não foi divulgada.

A confirmação do falecimento de João Helder veio nas primeiras horas da manhã. A morte teria ocorrido no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), onde conforme o Portal Revista Central apurou, ele estaria internado nos últimos dias.

Há pouco mais de mês o RC mostrou o drama vivido por João Helder. Ele enfrentava severas sequelas em função de uma época de consumo de álcool elevado. Contraiu uma cirrose e junto com ela, dificuldades financeiras. Do vigor dos picadeiros, seu destino foi justamente o contrário: acamado e sem parte dos movimentos.

Palhaço Parafuso, que depois adotou o nome de Pebinha, foi sucesso na década de 90, em Quixadá (foto: arquivo pessoal)

Amigos ajudaram a família em uma campanha com a doação de donativos que pudessem ajudar no dia a dia dos cuidados do antigo palhaço. Seu sofrimento não durou tanto e nesta terça, ele se despediu deste mundo deixando no sorriso que tanto fez brotar nos rostos quixadaenses, a sua maior marca.

Em 2016, o então colunista do Portal Revista Central, Amadeu Filho, escreveu sobre a história de pioneirismo na arte de fazer rir de Pebinha, que antes, chegou a adotar o nome de Palhaço Parafuso.

João Elder Tomé, tratado carinhosamente como Pebinha, viria a se tornar, em pouco tempo, um mestre na arte de fazer rir, representando o personagem “Palhaço Parafuso”. Ainda adolescente, realizava apresentações no quintal de sua casa e, além de suas palhaçadas, se destacavam outros astros como mágicos, equilibristas. O acesso para acompanhar o espetáculo(a família assim chamava o show do filho), dava-se pela porta de entrada da casa. Havia a recomendação do palhaço adolescente: “Mamãe, as crianças que não puderem pagar, deixe entrar”.”

Na coluna, Amadeu se recorda dos espetáculos que Pebinha fazia no quintal de casa. “Aquelas noites quixadaenses eram mais alegres e nem precisava de picadeiro, de lonas. A lua e as estrelas pareciam chegar mais perto para ver aquele circo improvisado, mas, que era o mais bonito do lugar. E o palhaço Parafuso, no palco do quintal da sua casa, fazia a chamada para iniciar a apresentação: “Hoje tem marmelada?” E as crianças, numa alegria indescritível, respondiam: “Tem sim senhor!” “.

E em uma das poucas entrevistas que deu, afirmou: “Ser palhaço é fazer da alegria a razão de sua existência. É também não deixar os outros perceberem que, às vezes, também é um sofredor”.