Petrobrás pretende vender Usina de Biodiesel de Quixadá até 2022, afirma diretor

Usina iniciou processo de fechamento em 2016: venda prevista para até 2022 (Foto: Sistema Verdes Mares)

Quixadá: desativada depois que o plano de investir em combustíveis verde se tornou um fiasco pela inviabilidade técnica na região, a Usina de Biodiesel da Petrobrás em Quixadá poderá ser vendida para um grupo privado, até meados de 2022. A informação de planos da venda da Usina foi trazida com exclusividade pelo site Focus.Jor do jornalista Fábio Campos neste domingo (28), após uma entrevista com o diretor de relações institucionais da Petrobrás. Roberto Ardenghy.

Ao Focus.Jor, Ardenghy reafirmou que o ramo de investimentos da Usina deve ser outro, e não mais os biocombustíveis, razão pela qual a venda se faz a opção mais provável. “A gente não é especialista em biocombustível. Não é o nosso core business. Precisamos fazer desinvestimentos nesse setor e deixá-lo para empresas que tenham familiaridade e apetite na biotecnologia”, disse. O diretor de relações institucionais ainda afirmou que a empresa detém dívidas por ocasião do mau negócio que fez no passado. ““Foram decisões equivocadas na área de investimentos, o que deu bastante prejuízo. Por isso somos uma empresa muito endividada.

A Usina de Biodiesel da Petrobrás, PBio como é conhecida, foi inaugurada em agosto de 2008. Naquela época, o investimento na mamona, oleaginosa utilizada no composto do biodiesel, era um dos focos do Governo Federal, comendado pelo então presidente Lula. Os planos eram de movimentar o distrito de Juatama, onde a Usina é instalada, gerando emprego e renda e movimentando a economia local através do incentivo à plantação para posterior venda do composto. O próprio site da Petrobrás até hoje ainda informa. “Aproximadamente 9 mil agricultores familiares fazem parte do nosso programa de suprimento agrícola e produzem oleaginosas numa área total superior a 19 mil hectares em seis estados do semiárido brasileiro”.

Baixa produção de mamona deixou projeto inviável (Foto: divulgação)

Os planos eram de produzir 108,6 milhões de litros de biodiesel por ano. Mas não decolou: não havia agricultores suficientes para plantar a quantidade que a Usina pretendia comprar. E além disso, os que lá existiam, sequer eram especializados no plantio da mamona. O resultado foi uma elevação nos preços porque a Petrobrás se viu obrigada a comprar mamona de fora. Mas o problema não foi só esse: apesar de todos os esforços, a qualidade do biocombustível produzido não atendia as especificações técnicas da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).

“De acordo com resolução nº 7/08 da agência, a viscosidade do óleo extraído da mamona variava entre 20 e 30 milímetros por segundo (mm²/s). A viscosidade permitida pela ANP no biodiesel: de 3 a 6 mm²/s.”, informou o site do jornalista Fábio Campos. O resultado foi uma sucessiva queda na força do projeto até que em 2016 a estatal anunciou que encerraria as operações na unidade de Quixadá. Dois anos atrás a Usina da PBio estava no alvo de três grupos investidores, dois dos quais internacionais, interessados em comprar a unidade. Mas no fim de 2019 a Petrobras abandonou de vez o projeto e publicou no Diário Oficial da União a solicitação que fez à ANP para o cancelamento das autorizações que permitiam o funcionamento da planta.

Na entrevista ao Focus.Jor, Roberto Ardenghy confessou que “a unidade produtora de biodiesel se torna atraente pelo maquinário e tecnologia lá instalada. Mas se a empresa for vendê-la, sem dúvidas, será por um valor bem inferior aos R$ 76 milhões repassados para construção do empreendimento durante o segundo Governo Lula”. Não restam dúvidas: o sonho de fazer de Quixadá a terra da mamona, não deu certo. E hoje, quem passa por Juatama guarda apenas recordações de um plano que não decolou.