8ª Cres de Quixadá fica em 16º lugar em estudo por ter apenas 66% de eficácia em ações contra Covid-19

Quixadá: É fato: a pandemia do novo coronavírus colocou todos diante situação nova. Incluindo aí os profissionais da saúde. Frente a uma situação nunca antes vivida, os métodos de trabalho, avaliação e atendimento mudam vertiginosamente. Somado a isso, em vários municípios, diariamente prefeitos e prefeitas baixam decretos e mais decretos para tentar conduzir o dia a dia das cidades ao novo normal. Mas aí surge a pergunta: até que ponto, as ações colocadas em prática por essas cidades, realmente funcionam?

Foi na expectativa de avaliar esse cenário que uma pesquisa desenvolvida por dois pesquisadores cearenses, mapeou o grau de eficiência e eficácia do trabalho posto em prática pelas gestões municipais em todo o estado. Das 22 Coordenadorias Regionais de Saúde (Cres) no Ceará, a pesquisa mostrou que 10 delas possuem 100% de eficácia no trabalho de enfrentamento ao coronavírus. A 8ª Cres, que corresponde a Quixadá e a todos os municípios do Sertão Central, tem 66,8% de eficiência, um número baixo se comparado com os demais.

O estudo foi feito pelo diretor da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade da Universidade Federal do Ceará (UFC), Paulo Matos, e pelo economista-chefe do Tribunal de Contas do Estado (TCE-CE), Jesus Filho. As Cres fazem parte de uma estratégia de regionalização que compõe a diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS). Elas são formadas por um número específico de municípios delimitados a partir de identidades culturais, econômicas e sociais com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de ações e serviços de saúde.

Comparado ao ranking com todas as Coordenadorias, a 8ª Cres está na 16ª posição do ranking. O estudo compara aparato médico por nível de mortalidade dos pacientes para chegar ao resultado, um ponto que revela uma disparidade curiosa: mesmo com a quantidade de mortos já contabilizada, sendo 47 até o fechamento desta matéria somente no município de Quixadá, o estudo mostrou que as chances de sobrevivência para a população atendida pelo sistema de Saúde da 8ª Cres é de 96,6%, mesmo que a eficiênsia geral do trabalho seja avaliada na casa dos 66%.

A pesquisa foi construída a partir da avaliação de condições de trabalho e a oferta de recursos para atendimento, como o número de enfermeiros por cada 100 mil habitantes e o número de médicos. Na 8ª Cres, o resultado foi de 83,9 enfermeiros e 28,8 médicos para cada 100 mil habitantes, números rasoáveis se comparados com os demais. A pesquisa destaca que a Região de Fortaleza lidera o ranking em termos de respiradores, sendo seguido por Sobral, Juazeiro do Norte e Quixadá, grandes polos hospitalares do Estado.

O principal ponto do estudo era analizar a eficiência de uma Coordenadoria Regional com a sua capacidade de salvar vidas, mesmo dispondo de poucos recursos. Utilizando dados do dia 26 de março até o último dia 16 de junho, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a média de satisfação que uma Cres deve oferecer é de 85%. A de Quixadá está 19 pontos percentuais abaixo do esperado. As que atingiram 100% de satisfação foram Cascavel, Icó, Camocim, Crateús, Tauá, Tianguá, Acaraú, Russas, Canindé e Caucaia.

Os detalhes do estudo foram revelados pelo jornal O Povo.